Doma racional, uma nova escolha para educar seu cavalo

O animal símbolo da cultura do Rio Grande do Sul, o cavalo, continua sendo tema de discussões aqui no blog da Simvetrs. Ao contrário do que muitos domadores, criadores e cavaleiros pensam, que devemos ser brutos para educar o animal, podemos treiná-lo de maneira compreensiva e racional.
É o que afirma a domadora Roberta Buttelli. “Na doma tradicional ou nas que estabelecem o uso da força, se trava uma luta entre o homem e o cavalo, enquanto que, na doma racional, há um amansamento, uma relação de troca entre o animal e seu dono, criando uma confiança e um aprendizado que faz o animal ceder.”

Não existem registros precisos de quem inventou a doma racional. Pode-se dizer que os índios já utilizavam a técnica para se relacionar com os cavalos. Na Europa, o emprego de métodos racionais são utilizados há muito tempo. Nos Estados Unidos, a doma costumava ser bruta, pois existia o estereótipo do cowboy, do homem forte domando o animal. Mas com o tempo esta imagem foi perdendo força e foram surgindo os “homens do cavalo” e com eles a técnica foi crescendo e se espalhando pelo mundo.

Roberta foi aluna de Monty Roberts, um dos pioneiros desta técnica no Brasil. Para aprender sua filosofia, morou três meses na fazenda do domador e aprendeu sua incrível doma racional. Ela explica que na doma racional são utilizados muitos exercícios de repetição, condicionando o animal, de maneira suave e sem o uso de força, aos comandos desejados e à tolerância à monta. “Não são utilizados o laço, o palanque ou a quebra de queixo, ao contrário do que acontece na doma tradicional” confirma a domadora. “É uma atividade que exige muita paciência, mas que traz resultados excelentes, melhores dos que os conseguidos através da doma tradicional, que pode
causar muitos traumas ao animal”, explica a especialista.

Existem diferenças entre a doma convencional e bruta para a doma racional. “Racionalmente vamos lidar com o cavalo. Quem é racional neste caso somos nós, homens, que pensamos antes de agir. Sempre respeitando o cavalo e falando a linguagem dele, a fim de que este nos compreenda melhor.” Já as domas brutas não usam a razão, mas sim a força. Por ser um animal tão grande e forte, o cavalo nos faz tentar sermos mais do que eles (o que é impossível), ao invés de sermos mais inteligentes (o que é possível).

Lembramos que o objetivo da doma é fazer com que o cavalo aceite normalmente o contato e os comandos do homem, além de se habituar aos arreios, sela e rédeas.  Também é de vital importância que, através da doma, o cavalo aprenda a reagir aos comandos de voz que o cavaleiro faz, como as ordens de partir, parar ou acelerar. Sempre que estivermos fazendo a doma de um animal, devemos lembrar que este processo é um “jogo” no qual o cavalo deve ser ensinado e, para isso, deve-se fazer um esquema de recompensas, como carinhos ou gestos que mostrem ao cavalo que o homem está satisfeito com seu comportamento. É um jogo de agradar o cavalo quando ele acerta e não um jogo de puni-lo, quando erra ou se comporta mal.